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A MEMÓRIA DA MÚSICA POPULAR

DISCOS DE SUCESSOS

DISCOS RAROS

FALE CONOSCO

NOEL ROSA 

PUBLICAÇÕES NA IMPRENSA

 

 

Discomentando – Jornal do Dia – 11-07-1959

 

“SAMBA, MUITO SAMBA

...

SILVIO CALDAS CANTA NOEL

Falecido há não muito tempo, Noel Rosa parece, todavia, uma figura lendária, tantas as histórias que circulam a seu respeito, sobre seu temperamento, sua maneira de trajar, as rodas que frequentava, a maneira como compunha seus sambas. Diga-se, a bem da verdade, que a lenda em torno de Noel foi sobretudo criada pelos que não o conheceram e pelo êxito constante de suas músicas, porque seus amigos – Almirante, Silvio Caldas, Aracy de Almeida, para citarmos apenas três dos mais conheci

dos – dão-nos, do falecido compositor, uma imagem bem mais sóbria e autêntica.

Silvio gravará para a Sinter um long play com o título “Silvio Caldas Canta Noel”.

 

Discomentando – Jornal do Dia – 21-07-1959

 

“ELES CANTAM ASSIM

“Eles Cantam Assim” é o título de um recente lançamento da Polydor, em 33 1/3 rotações, apresentando os seguintes cartazes: Carlos Augusto, Aracy de Almeida, Carlos José, Trio Guarany, Germano Mathias, Norma Suely, Agostinho dos Santos, Dalva de Andrade, Dick Farney, Dupla Ouro e Prata, Alvarenga e Ranchinho e José Ribamar.

Faixas: “Espelho”, samba-canção de Adelino Moreira e Raul Borges, por Carlos Augusto – “Para Me Livrar do Mal”, samba de Noel Rosa e Ismael Silva, canta Aracy de Almeida - ...

Realmente é um disco de grande personalidade. Notável da primeira à última faixa, com excelente escolha de vozes e melodias. Uma gravação de possibilidades, pela sua variedade, numa surpreendente coloração musical e que, por certo, irá agradar aos discófilos que poderão desfrutar deste ótimo programa em longa duração da Polydor – LPNG 4.036.”

 

Discomentando – Jornal do Dia – 24-09-1959

 

“E...AS MISSES ESCOLHERAM SUAS MÚSICAS PREFERIDAS

Um dos mais interessantes lançamentos em 33 1/3 rotações, no momento, é, sem dúvida, este intitulado “E As Misses Escolheram Suas Músicas Preferidas”, por apresentar as melodias favoritas das moças que, no Concurso Miss Brasil deste ano, obtiveram os cinco primeiros lugares. Assim sendo, nota-se no referido álbum, uma grande variedade de vozes, orquestras, ritmos e melodias, constituindo-se uma atração musical. O microssulco foi editado pela Odeon e contém as seguintes faixas: Lado A: “Feitiço da Vila”, por Irany e seu Conjunto, o versátil e original violinista (samba de Noel Rosa e Vadico) – “Quero-te Assim”, na correta e suave interpretação de Silvia Telles (samba-canção de Tito Madi) - ...”

 

Discomentando – Jornal do Dia – 31-10-1959

 

“MÚSICA, MAESTRO!

Esta é a gravação microssulco da RCA Victor que apresenta Zaccarias e sua Orquestra, em números muito bem selecionados. A parte interessante do álbum está na introdução de vozes e instrumentos, simultaneamente, dando um colorido todo especial às seleções musicais. “Música, Maestro!” contém o novo estilo de execução orquestral.

Faixas: “Feitiço da Vila” (samba de Noel Rosa e Vadico)  - “Amor” (bolero de Ruiz e Mendez) - ...

Recomendamos aos leitores e apreciadores deste gênero para que ouçam o long-play. BBL-1040.

...”

 

DiscoVision – Estado do Rio Grande – 12-11-1959

 

“CAMPEÕES DE POPULARIDADE

...

TUDO SOBRE DISCO

...

Aracy de Almeida é agora exclusiva da Sinter, e depois de ter gravado um 45 rpm com 4 melodias de Noel Rosa, prepara-se para a gravação de um LP.

As músicas já gravadas em seu Extended Play são as seguintes:

“Você é Um Colosso” – “Na Baila da Flor de Liz” – “Suspiro” – e “Onde Está a Honestidade”, todas de Noel e às quais Aracy de Almeida dá uma interpretação personalíssima.

...”

 

Discomentando – Jornal do Dia – 19-11-1959

 

“LONG PLAYS HIFIRECORD

...”

“BRASIL A JATO

Homenageando a aviação comercial brasileira, a RGE lançou um long-play com o famoso maestro Enrico Simonetti e Orquestra RGE. O disco, cujo título é "Brasil à Jato", apresenta um desfile de músicas brasileiras bastante conhecidas, de norte a sul.

"Prenda Minha", do folclore gaúcho, recebeu um tratamento todo especial de Simonetti, uma toada que bem caracteriza o sul.

"Tico Tico no Fubá", choro de Zéquinha de Abreu e "São Paulo Quatrocentão", dobrado de Garoto, Chiquinho e Avaré, representam a capital bandeirante.

"A Voz do Morro", samba de Zé Keti, e "Rio de Janeiro", samba de Ary Barroso, apresentam-nos a beleza da terra carioca neste vôo musical.

"Saudades da Bahia", o conhecido samba de Dorival Caymmi, está no álbum "Brasil à Jato".

"Vassourinha" e "Evocação", dois movimentados frevos, o primeiro de autoria de Matias da Rocha e Joana Batista Ramos, e o segundo de Nelson Ferreira, apresentam-nos a ensolarada Recife.

"Baião", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, é o contagiante ritmo do nordeste. "Delicado", choro de Waldir Azevedo, também está gravado em "Brasil a Jato". "Pastorinhas", de Noel Rosa e João de Barro, marcha-rancho, é apresentada num estilo diferente e maravilhoso, sob os arranjos de Simonetti. "Caravelle" é uma fantasia musical do executante. Inicialmente ouve-se o vozerio de um aeroporto. Logo após, uma voz convida os passageiros a tomarem seus lugares e, em seguida, o ruído das turbinas que tem, como continuação, a fantasia do maestro.

Trata-se, evidentemente, de um sucesso brasileiríssimo que Enrico Simonetti vem de lançar através do selo de três cores.

"Brasil a Jato" apresenta, na capa, um aparelho Caravelle, em vôo, da Varig. XRLP 5.059.”

 

Discomentando – Jornal do Dia – 27-11-1959

 

“NATAL DAS CRIANÇAS

...”

“NATAL: DALVA DE ANDRADE

...”

“LUIZ ARRUDA PAES E SEU CORAL

A Odeon vem de editar mais um disco com o notável orquestrador Luiz Arruda Paes. E, agora, com seu coral, ele nos traz em extended play, novidade do mês corrente, quatro músicas bem conhecidas e apreciadas. “Pastorinhas”, de Noel Rosa e João de Barros, “Velho Realejo”, de Custódio Mesquita e Sady Cabral, “Guacyra”, de Hekel Tavares e Joracy Camargo e “Peguei Um Ita no Norte”, de Dorival Caymmi, são as suas faixas. BWB 1095.

...”

 

Discomentando – Jornal do Dia – 19-04-1960

 

“SELEÇÕES DE FILMES

...”

NOTÍCIAS DA RCA VICTOR

...”

“REALIZANDO A VITORIOSA SÉRIE “DESCENDO O MORRO”, A DIREÇÃO ARTÍSTICA DA COPACABANA PROCUROU JUSTAMENTE OS SAMBAS PERTENCENTES À ÚLTIMA SÉRIE” (Lúcio Rangel)

Foi lançado na praça mais um LP da série “Descendo o Morro”, com o sambista Roberto Silva. Este é o terceiro volume.

Raras são as gravadoras que se entregam à música brasileira, como a Copacabana. Isto por que, em cada suplemento, há sempre uma surpresa em se tratando de nossa música. E ela foi aplaudida, comentada e bem recebida por todos através dos dois primeiros volumes. A Copacabana voltou para atender ao público brasileiro, com Roberto Silva interpretando as seguintes músicas: “Curare” (Bororó) – “Domine a Sua Paixão” (Bastos Filho e Mafra) – “Juramento Falso” (Cascata e Azevedo) – “Beija-me” (Martins e Rossi) – “Palpite Infeliz” (Noel Rosa) – “Boogie Woogie na Favela” (Brean) - ...”

 

APONTAMENTOS

 

LP ‘POLÊMICA” – Disco Odeon

Comentários na Revista de Lançamentos da Odeon em 1956

“POLÊMICA

(Duelo musical entre autores famosos)

Noel Rosa, o imortal poeta de Vila Isabel e Wilson Batista, outro renomado autor da música popular brasileira, em certa época travaram “violento duelo” que nada teve de trágico. “Brigaram” por meio de sambas gostosos e geniais, como por exemplo, “Rapaz Folgado”, “Palpite Infeliz”, “Feitiço da Vila”, “João Ninguém”, “Lenço no Pescoço”, “Mocinho da Vila”, “Frankstein”, “Conversa Fiada” e “Terra de Cego”, com isso enriquecendo ainda mais o nosso cancioneiro. Noel Rosa morreu e Wilson Batista continuou cantando e compondo, mas sem guardar rancor do seu “inimigo” musical, a quem, sempre admirou e elogiou publicamente. Nesta gravação encontramos um pouco do grande “duelo” travado entre os poetas. Francisco Egydio e Roberto Paiva interpretam o “duelo”. MODB 3033”.

 

LP “RIO SAMBA CARNAVAL” – Disco Philips

Banda Carnavalesca Cidade Maravilhosa

Comentários de Ary Vasconcelos na contra capa do disco, lançado em 1981, sobre a composição “As Pastorinhas”, música integrante do disco.

“UM REPERTÓRIO DE OURO

“As Pastorinhas”, de João de Barro (Braguinha) e Noel Rosa é uma reciclagem da marcha “Linda Pequena”, dos mesmos autores, e que, gravada pelo cantor João Petra de Barros, em 1934, em discos Odeon (11.281-A), não fizera o menor sucesso. A nova versão foi confiada à Silvio Caldas e por ele gravada a 13 de dezembro de 1937, também na Odeon (11.567-A), acompanhado pela Orquestra Napoleão Tavares e seus Soldados Musicais. No concurso de músicas carnavalescas de 1938, realizado na Feira de Amostras, na Esplanada do Castelo, Rio de Janeiro, a marcha “Touradas em Madrid”, de João de Barro e Alberto Ribeiro, obtivera o primeiro lugar. Mas o resultado do concurso fora anulado, pois acabara sendo aceito o argumento de que a música vencedora era um paso doble, um ritmo, portanto, estrangeiro. No novo julgamento, o Bloco do Bola Preta surgiu cantando “As Pastorinhas” (Noel Rosa morrera a 4 de maio de 1937), o público se emocionou e o novo júri conferiu o prêmio à marcha, então, pelo menos no selo do disco, ainda não classificada, como marcha-rancho.

...”

 

O PAI DO SAMBA URBANO

Revista “Oitenta Anos de Brasil” (1903-1983), editada pela Companhia de Cigarros Souza Cruz.

Noel Rosa (1910-1937)

Foi no “Cem Reis” , bar de Vila Isabel em que se reuniam boêmios e compositores, que tudo se definiu. Foi ali, em contato com os sambistas dos morros cariocas, que Noel (de Medeiros) Rosa decidiu-se a abandonar de vez a Medicina e dedicar-se exclusivamente ao samba.

Sábia decisão. Apesar dos poucos anos que viveu (nasceu no Rio de Janeiro a 11 de dezembro de 1910 e ali morreu no dia 4 de maio de 1937), Noel Rosa compôs mais de 200 músicas em que a característica principal é mostrar a realidade de seu tempo, embora muitas permaneçam atualizadíssimas. Ou não é das mais atuais esta declaração de Noel em entrevista a O Globo, em 1935?

“Antes, a palavra samba era sinônimo de mulher. Agora já não é assim. Há o dinheiro, a crise. O nosso pensamento se desvia para estes gravíssimos temas. Agora, o malandro se preocupa, no seu samba, com o dinheiro quase tanto como com a mulher.”

Ele, na vida do dia-a-dia, não se preocupava com o dinheiro. Gastava tudo o que ganhava na vida boêmia. Uma vida que abreviaria sua existência: de físico muito frágil desde o nascimento, em que o fórceps provocou uma fratura em seu maxilar e uma ligeira paralisia no lado direito do rosto, ele sucumbiria à tuberculose, deixando como legado suas músicas (“desde guri, minha grande fascinação era a música...”), que fizeram dele, além de um cronista de seu tempo, o grande precursor do samba urbano.”